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Quem é "O prisioneiro da grade de ferro"?
Há poucos dias tive a oportunidade de assistir pela primeira vez a um filme do projeto Cinema BR em movimento. Aconteceu na UFMT, em minha primeira semana como calouro do curso de Comunicação Social.
O filme projetado, tratava-se de O prisioneiro da grade de ferro - auto-retratos. Um filme feito sobre o Carandiru, ou dentro do Carandiru, ou que fala do Carandiru, ou sobre quem vivia no Carandiru, ou...
Carandiru... uma eterna interrogação, pois a senha que abriria o arquivo da verdade foi enterrada para sempre junto aos escombros provocados pela implosão.
O filme retrata o cotidiano dentro daquele que foi o símbolo de um dos massacres mais vergonhosos da história do Brasil. Cotidiano de condenados que não tinham quase ou nenhuma alternativa de viverem com um mínimo de dignidade, que se espera, seja dedicada a seres humanos, ainda que criminosos.
A história de cada personagem mostrada na fita, contrasta com uma série de fatos que nos leva à indignação. Seria digna a nação, cujos governantes realizam cerimônias para inaugurar o que eles chamam de presídios, quando na verdade mais parecem pocilgas? Que digna nação, depois de condenar criminosos, privando-os da liberdade pelos crimes que cometeram, os condenam a viver num submundo, convivendo com ratos, baratas, esgotos e doenças e a dormirem amontoados no chão como porcos?
O prisioneiro da grade de ferro. Uma mistura de grandes e pequenos criminosos (se é que existem grandes ou pequenos criminosos) mostrada através de uma película que nos permite algumas comparações: um barril de pólvora tendo ao lado uma caixa de fósforos e ambos ao alcance das mãos de uma criança; uma massa sovada, amassada, cujo fermento por ser demasiado azedo, a faz inflar, crescer demais, precipitando o transbordo, ou ainda, uma panela de pressão, cuja válvula está prestes a entupir e não há ninguém por perto disposto a desligar o fogo.
Assim era o Carandiru. Tão sovado, amassado pela ineficiência do Estado que azedou demais e transbordava. Também assim foi o Massacre do Carandiru, provocado pela explosão quando a válvula entupiu e quando já não havia mais tempo de se apagar o fogo. Mas depois da explosão, as chamas foram apagadas e os destroços da panela e a cinza da explosão foram para sempre enterrados quando resolveram implodir a fornalha e enterrar para sempre a verdade e a vergonha provocadas por um fogo que ninguém quis controlar. Assim somos nós, crianças, que às vezes não percebemos que ao alcance de nossas mãos existem barris de pólvora e caixas de fósforo.
E quem é o Estado, que inaugura presídios e tenta com isso acobertar a sua ineficiência por não conseguir promover com eficiência a segurança pública? E quem são os criminosos que em muitas das vezes têm assentos no Estado? Qual dos dois é a pólvora? Qual dos dois é o fósforo?
Só sei dizer que me sinto a criança, prisioneira de grades de ferro, cacos de vidro e cercas elétricas. |